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A Rotina Quebrada e Seus Desdobres

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O tempo passa, os costumes mudam e as pessoas também mudam. Vou falar dos costumes e da minha pessoa, claro, que é sobre quem posso falar. Um dia eu namorei uma pessoa que conheci no local de trabalho. Vários anos depois namorei uma pessoa que conheci através do antigo serviço Tele-amigos da extinta CRT (Companhia Riograndense de Telefonia).

Algum tempo depois namorei uma pessoa que conheci através do chat do Terra. A partir dali, conheci e namorei algumas pessoas que conheci por esta última ferramenta, mesmo tendo ficado oito anos sem nenhum tipo de relacionamento. E por último, namorei pessoas que conheci através de sites de relacionamento.

Tudo isso significa o quê, exatamente? Que eu nunca fui de sair para a balada, mesmo no tempo em que a balada era chamada de baile, reunião dançante, festa, etc. Nunca fui da noite. Uma das causas disso foi uma coisa que meu ai me disse, certa vez, sobre a minha aparência física, que me inibiu por muitos, mas que no fim não impediu que eu namorasse, casasse, tivesse filhos, etc.

Só que isso acabou fazendo com que eu preferisse ficar em casa nas noites de final de semana, até porque na época em que fui adolescente não existia Uber, eu não trabalhava, não saía muito. Era um eventual participante dos bailes de final das noites de domingo num clube próximo.

Hoje eu estou com 68 anos. Fiquei fora do mercado de solteiros por sete e meia temporadas, e nesse meio tempo, me parece que os sites de namoro, e inclusive simples chats como o do Terra, agora são pagos. Aí tem duas coisas: primeiro que não sinto a menor falta de entrar nesses sites. Segundo que acho um absurdo pagar para dar uns likes, lá, para pessoas que nunca vou conhecer.

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Então acaba sobrando o encontro físico, ou seja, sair para a noite, o que não tem a menor possibilidade de eu fazer. Talvez, muito eventualmente, sair para ir ao supermercado, se eu achar que vou sentir mais preguiça no dia seguinte do que na noite anterior, ou se eu não quiser abrir mão do tempo do dia para editar vídeos.

Aí acontece de eu ter assistido alguns vídeos no You Tube que me deixaram assustado: algumas mulheres estão orientando outras de que vão ao supermercado e fiquem de olho nos homens fazendo compras sozinho. E estão orientando a que elas percam o medo e abordem esses caras.

Aí eu lembrei que há alguns meses uma mulher puxou assunto comigo na frente de uma gôndola de um mercado grande em que eu estava. Me recuso a pensar que ela tivesse alguma outra intenção que não fosse a de questionar o produto que estávamos coincidentemente olhando (eu primeiro, ela chegou depois). Não acredito em outra coisa.

Para minha felicidade, tenho pelo menos duas vantagens a meu favor nesta possibilidade de mulheres abordando homens nos mercados (que aqui no RS eu meio que duvido que aconteça): primeiro, que nunca fui um cara bonito, nem tenho porte físico que seja, assim, chamativo, a ponto de despertar interesse em uma mulher so assim, de olhar.

Segundo, eu estou com sessenta e oito anos, o que, culturalmente, no Brasil, tem o dom de transformar qualquer sujeito comum num dos heróis mais enigmáticos do cinema e da televisão, o homem invísível. A invisibilidade é um dom. Nunca precisei fazer muita força para parecer isso, e muito menos agora.

Há quem se preocupe em parecer invísível. Pessoas que precisam de validação externa, e por isso postam suas vidas nas redes sociais. E ninguém publica fotos de boletos.

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Escrevi em outro post que o sábado é o dia em que não me obrigo a exercitar com pesos, porque é orientação de que em pelo menos um dia da semana a pessoa descanse. O que eu não deixo de fazer, nunca, é a caminhada. O sábado é transformado numa maratona de edição de vídeos, à exceção dos sábados em que no domingo não estarei em casa.

Hoje é sábado e algumas coisas estão um pouco diferentes, por conta do corte na água e que eu tenho certeza de que não vai ser religada nem antes, nem depois do prazo de 24 horas. Bem capaz que um serviço público vai operar no final de semana. A pia da cozinha foi dormir, ontem, assim . Depois do café da manhã ela está assim: .

Daqui a pouco tenho que dar uma saída que na verdade serão duas. Vou caminhar até o mercado grande mais próximo, para buscar umas bananinhas para o rodizio de lanches. Aí saio para um lado. Depois, vou até uma outra agropecuária comprar comida de tartaruga. Aí saio para o outro lado.

ABRE PARÊNTESE

Uma dica para quem pensa em ter tartaruga como bicho de estimação: a comida que são aqueles camarõezinhos minúsculos, a meu juízo, vão embora muito depressa pelo singelo motivo de que não matam a fome do bichinho. Tem umas bolinhas coloridas, não sei o nome da marca. Tem os “cilindros” da Reptolife. Estes funcionam muito melhor.

FECHA PARÊNTESE

Durante a saída, quando estava voltando, decidi mudar os planos. Não passei em casa para largar as bananas. Subi direto até a agropecuária, para fazer uma volta só, e confirmei meu pensamento de que não seria nem tão cansativo e nem faria tanta diferença assim.

Quando cheguei em casa testei de novo a torneira da cozinha e nada de água.

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A caminhada de ida até o mercadão, de volta até a agropecuária e depois de volta para casa, incluindo o deslocamento dentro dos estabelecimentos, que foi pouco, porque eu tinha objetivos bem definidos, rendeu pouco mais de seis mil passos. Daí eu comecei a pensar na maratona de sessenta mil passos num mesmo dia, a qual eu já fiz duas vezes (2022 e 2026).

Supondo que eu repetisse apenas este trajeto, que tem uma lomba, pelo menos, mas não é tão íngreme quanto outras que experimentei na maratona de abril. A conta e simples: dez idas e vindas resolveriam a questão. Mas olhando, assim, também parece uma coisa muito puxada. Trata-se de uma questão psicológica.

No entanto, o trecho depois da descida, para chegar no mercadão é totalmente plano. A avenida é basicamente composta de quatro quadras. Não sei se foi de propósito, mas cada uma é maior que a outra, e lá na outra ponta tem outro mercadão, da mesma rede do que fica no início da terceira quadra, mas com nome diferente. A distância até aquele outro mercado, calculando de cabeça, talvez dê mais uns oitocentos metros. Vou fazer uma medição, a qualquer momento.

Em número de passos não tenho a menor ideia do quanto daria, mas acredito que, saindo de casa e descendo da metade da lomba e adiante até chegar na avenida plana, e dali até o mercado deu pouco mais de dois mil passos, para chegar na outra ponta da avenida seriam pelo menos mais mil, ou quase isso. Numa especulação ligeira, daria ara dizer, então, que de casa até o mercadão do final da avenida plana daria algo entre  três mil e três ml e quinhentos passos.

Tomara que eu em engane para mais. Agora, a conta mais importante. .

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Poderia chutar, então, que daquele mercadão até a ponta da outra avenida, a da lomba, que fica um pouco além da agropecuária, daria em torno de sete a sete mil e quinhentos passos. Isso reduziria ara quatro idas e vindas, o que não parece assim tão angustiante. Mas primeiro vou fazer medições.

O que aconteceu de fato

Deixei a torneira da pia da cozinha aberta, na vã esperança de que a água voltasse, mas sem muita esperança. Vim terminar a produção desta postagem. Antes de começar a escrever, estava dando uma olhadinha nas redes sociais, apenas para confirmar o tamanho da perda de tempo, quando escutei barulho de água corrente.

O milagre aconteceu.

Imediatamente os planos mudaram: larguei isto aqui e fui tratar de lavar a tralha que apareceu na segunda imagem ali em cima. Tinha dado início, já pensando em depois terminar de encher a máquina de lavar, quando lembrei que tinha que fazer uma salada. Almoçar sem uma salada, nem pensar. Não entra na minha cabeça.

Então fui fazer isso. Enquanto a cebola cortada ficava em torno de cinco minutos esquentando (mais do que isso e ela já perde a crocância, no caso da cebola roxa), já fui cortando repolho e limpando uma cenoura e dois rabanetes. Antes de ralá-los, tira a cebola da panela e deixa esfriando.

Depois de tudo misturado, o pote vai para a geladeira e fica resfriando. Volto à pia para terminar a lavagem da louça. Só então termino de encher a máquina de lavar. Enquanto ela faz o primeiro ciclo venho para cá escrever. Ela termina esta primeira fase, largo aqui e vou tornar a enchê-la.

Quando ela entra no segundo ciclo eu monto minha cumbuca de almoço (que já tem alguns minutos de atraso, em relação à hora normal). Depois do almoço, penduro a roupa lavada e venho finalizar este texto.

P.S.:

Clique no titulo para visualizar todas as imagens. 


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