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Ritual de Escrita: Como Funciona

quarta, 30

Quando escrevi sobra o hábito de fazer palavras cruzadas no café da manhã, faltou dar dois detalhes da brincadeira. Primeiro, que no meio daquela pilha de folhas de jornal há uma revista, revista mesmo, de palavras cruzadas. É quando passo por ela que eu sei que completei um ciclo inteiro de alternância entre as folhas.

O segundo detalhe é que uso sempre a mesma caneta, o que leva, acredito, mais de ano para gastar. Na real, acho que leva até o dobro disso. O objetivo de manter o cérebro funcionando de diversas maneiras, as palavras cruzadas entre elas, é sério, mas nada impede que o processo tenha um fundo de brinquedo.

Uma outra coisa que ando pensando, é que sempre falo no ritual de escrita, mas nunca aprofundo no tema. Da mesma forma que as palavras cruzadas, trata-se de uma coisa séria, mas também levada na brincadeira. O processo tem dois objetivos: manter bons pensamentos para atrair coisas boas e manter o cérebro em funcionamento.

Quando comecei a escrever, além desses dois objetivos, havia um terceiro, que era voltar a ter contato com a minha caligrafia, que sempre foi organizada e regular mas que, com o advento dos teclados, eu havia perdido contato, a ponto de quando precisava assinar qualquer coisa, só saíam garranchos horrorosos. Daí achei que tinha que voltar a escrever com regularidade.

Quando comecei a publicar o antigo blog Quem Vai Querer Saber™, eu ainda primeiro escrevi a punho para depois passar para a telinha. Então comecei a achar que precisava ganhar tempo e passei a redigir direto no computador. Foi assim até eu perceber que estava com dificuldade para entender minha própria letra.

Quando se chega neste ponto, é porque a coisa ficou realmente grave. No meu caso, estava fora de controle.

FOUR

Estou tentando bolar um jeito de mostrar como é a parte do ritual que é de estimulação da memória. A memória, em si, já funciona pelo básico de repetição das sequências de frases. No início, eram algumas poucas. Com o passar do tempo, fui acrescentando, e agora o processo está levando cerca de uma hora para sua execução.

Fui pinçando frases de livros, áudios, cursos que fiz. Aquelas que me chamara mais a atenção, fui incluindo. Eventualmente fui substituindo algumas, porque um dos objetivos é manter pensamentos de prosperidade. Algumas frases do início eram boas, mas fugiam um pouco do objetivo. Então fui trocando.

Hoje, funciona assim: tem um grupo básico de frases, que é sempre o mesmo. Não muda a posição, nem a ordem das frases. Depois vêm seis conjuntos de frases em que se alternam a ordem de grupo e a ordem das frases. E um grupo final que também nunca muda, nem a ordem das frases.

Vou tentar mostrar como funciona.

Num dia o ritual começa com o grupo básico. Quatro ou cinco frases, sempre na mesma ordem. Depois vem o conjunto A. Quatro grupos de frases, grupo 1, grupo 2, grupo 3, grupo 4. Depois vem o conjunto B. Quatro grupos de frases, grupo 1, grupo 2, grupo 3, grupo 4. E assim por diante, até o grupo F, e depois o grupo final, com mais  frases que nunca saem da ordem.

Aí vem o dia seguinte.

Começa com o grupo básico. Quatro ou cinco frases, sempre na mesma ordem. E aí começa o rodízio de grupos e de frases. Depois do inicial, vem o conjunto F (o grupo que no dia anterior apareceu como último, no dia seguinte é o primeiro). Quatro grupos de frases, grupo 4, grupo 1, grupo 2, grupo 3 (a frase que no dia anterior apareceu por último, no dia seguinte aparece primeiro).

THREE

Depois do conjunto F, vem o conjunto A (o que no dia anterior tinha aparecido como primeiro, no dia seguinte é o segundo, e assim por diante até o conjunto E, que no dia anterior tinha sido o penúltimo). E de novo, o rodízio de grupos de frases: grupo 4, grupo 3, grupo 2, grupo 1. E passa para o conjunto B.

A troca da ordem dos conjuntos de frases e o rodízio das frases dentro do mesmo conjunto, tudo isso feito de cabeça, exige não só o exercício da memória como também da atenção plena naquela tarefa. Quando algum tipo de pensamento fora daquela tarefa atravessa a mente pode causar uma atrapalhação.

Às vezes o pensamento na sequência da história de alguma série que estou acompanhando em outros horários faz com que eu erre a sequência de frases dentro de cada grupo. Em alguns casos eu deixo para colocar a frase certa em algum outro conjunto.

Por exemplo: algumas frases começam com “Eu estou tão feliz agradecido agora porque. . . ” e deveria ter um final, eu me engano e coloco outro. Então, no outro grupo que começa igual eu escrevo aquele que foi trocado. Isso significa que a ordem não é tão importante? Não, porque quando troco o final de uma frase, provavelmente vou trocar a frase seguinte, também, agora que o processo já se tornou automático, dentro da minha cabeça.

Por isso, um detalhe importante. A ordem das frase, em cada grupo, tem uma correspondente no grupo seguinte. Por exemplo: tem uma frase que é uma mistura de Bob Proctor com Dr. Joseph Murphy: “Eu estou tão feliz e agradecido porque dinheiro abundante flui para mim de múltiplas fontes, de forma incessante, infatigável e interminável” (e já é possível observar que ela é diferente do exemplo dado no parágrafo anterior).

TWO

 Um outro conjunto de frases é uma mistura de Bob Proctor com Prof. Hélio Couto e começa com “Eu estou tão feliz e agradecido porque dinheiro inesperado flui para mim de múltiplas fontes, de forma substancial, continua e crescente“. Veja, o início é o mesmo, mas o final é diferente. Por causa disso as sequências são também diferentes. Se eu me engano e erro uma delas, tenho duas alternativas.

Substituir no conjunto correspondente, ou rasurar por cima. Não há uma regra, uma vez eu deixo para acertar depois, outra vez eu escrevo por cima. Em geral, escrevo por cima quando percebo ainda no começo que estou colocando uma frase que não pertence àquele grupo, porque pode ser que até chegar no grupo correspondente eu esqueça que tinha errado e reescreva a mesma frase novamente.

O que eu acho mais importante para a execução da tarefa por uma hora, sem erros, é manter a atenção plena. Concentrar-se apenas naquilo. Até mesmo a lembrança de uma música já m fez errar, várias vezes. Como nem sempre é possível ter controle no que vai passar na nossa mente naquele momento, quando acontece é preciso retornar imediatamente para o pensamento da escrita.

Dois outros detalhes: sempre coloco de fundo para esta hora da escrita, um áudio do canal Master Sorian Official, no You Tube. Fica tocando bem baixinho, som instrumental. Sempre tento trazer sentimentos de prosperidade enquanto escrevo. De acordo com a Lei da Atração, o universo responde ao que a gente sente.

Como escrevo frases de atração da prosperidade, mantenho sentimentos de prosperidade e abundância. Então, o rodízio de frases, a música baixinho e o sentimento evitam que o ritual se torne uma atividade robotizada. A escrita reforça a área cognitiva e ao mesmo tempo meio que se torna uma brincadeira.

ONE

Durante vários aos eu fui um acumulador de papéis. Guardava até mesmo notas de compras no supermercado com o pensamento de que algum da as usaria para escrever. No começo eu até usava, mesmo, para os rascunhos do antigo blog. A coisa saiu do controle quando, apesar de continuar juntando papelada, eu parei de rascunhar os posts à mão.

Como diria o saudoso almirante Al Calavicci (vivido pelo já falecido ator Dean Stockwell (1936-2021), da antiga série Contratempos, foi “a minha segunda ex-esposa” que me fez abandonar o hábito da acumulação crônica. Claro que não abandonei totalmente. Ainda guardo embalagens de produtos como farinha de trigo (e outras quando de papel e/ou papelão claro).

Mas não compro farinha de trigo os dias. Nem vou ao mercado todos os dias, e quando vou, as notas vão fora assim que chego em casa. Também não uso mais tanto papel de impressora. Hoje em dia não recebo mais boletos em papel. É tudo digital. Ainda tenho pilhas de papeis de impressão e outros, que guardei justamente por conta de ter voltado a escrever de punho todos os dias.

Há alguns anos, já, mais sai papel do que entra, e a média é o equivalente a 120 folhas de papel descartadas por mês. Ah, ainda é muito, significa que tenho ainda muito papel em casa?. Sim, tenho, mas penso, o quanto eu gastaria comprando cadernos pra descartar folhas, todos os meses?

Porque no dia em acabar todo o estoque que ainda mantenho vou ter que começar a comprar cadernos, ou folhas de impressão, sei lá, mas uma coisa é certa, o final do estoque de papel não vai me fazer parar de escrever todos os dias. Vou precisar de alguma superfície para continuar escrevendo minhas frases de atração da prosperidade.

Ou seja, este hábito é para sempre.

P.S.:

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