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Os Recomeços Dentro da Vida

Segunda, 28

Nem sempre a pessoa consegue ter certeza do que vai escrever quando vem para a frete do computador. Tenho a impressão de que isso acontece mis quando a pessoa está, por exemplo, escrevendo sobre longevidade e ao mesmo tempo descrevendo a sua realidade enquanto o projeto se desenvolve. Também acho que é preciso fazer uma distinção entre envelhecimento e longevidade.

Todo mundo sabe que longevidade significa envelhecimento. Mas envelhecimento nem sempre significa longevidade. Pessoas podem envelhecer e morrer em seguida. São a maioria. A longevidade é uma meta a ser perseguida. O envelhecimento pode ter atalhos. A longevidade precisa de ferramentas.

Só ter desejo de viver mais não é suficiente. É preciso estar disposto a fazer que for necessário para isso. Exige uma boa dose de renúncias, não necessariamente significando renunciar a viver, no sentido de “viver a vida“, com que boa parte das pessoas costuma justificar o desperdício das suas próprias.

Todo mundo sabe que se vive várias vidas ao longo de uma só. Cada fase de cada vida se desenrola de acordo com o que acreditamos naquele momento. Tenho dito à minha filha que estou com apenas 68 anos, tenho provavelmente mais 35 a 40 para viver ( e não o digo só por otimismo, ou pelo simples desejo, mas por estar trabalhando em mim mesmo para que assim seja).

E tenho dito isso a ela porque estou numa fase de recomeço. Preciso recomeçar várias coisas na vida. Uma vez eu já tive que recomeçar, e achava que não teria mais forças se tivesse que tornar a fazê-lo. Hoje em dia, por causa dos cuidados que venho tendo comigo mesmo, já penso de um jeito em diferente.

E eu penso, principalmente, num recomeço de construção de patrimônio. Estou no processo de reconstruir a vida a partir da solução de problemas financeiros

IV

A base de toda reconstrução é a busca pela paz de espírito. A pessoa para viver bastante tem que, necessariamente, respirar, viver, dormir, com tranquilidade. Tem que estar livre de dívidas, tem que saber o que acontece cm seu dinheiro, todos os dias, todos os meses. Uma pessoa aposentada, como eu, tem algumas vantagens.

Por exemplo, por não precisar sair de casa todos os dias, não há tantos gastos com deslocamentos (gasolina, passagem de ônibus, etc.). A pessoa deverá poder comprar alguma roupa nova, eventualmente, claro que sim, mas não todos os meses. Quando parei de trabalhar, eu tinha um arsenal de 13 calças e sessenta e poucas camisetas.

Um dia veio a pandemia de Covid e comecei a trabalhar home office. E depois de algum tempo eu larguei o trabalho, porque já tinha alguns anos de aposentadoria. Ou seja, nunca mais precisei comprar roupa para sair de casa. Se quiser, tenho roupas para o resto da vida. O mesmo se dá com os calçados.

Tenho que dizer uma coisa, aqui. A ideia de ter muitas roupas no tempo em que saía de casa para trabalhar, que tinha que comparecer frente a outras pessoas, nasceu de duas circunstâncias: uma, do filme A Mosca, de 1985, em que cientista Seth Brundle tinha no armário cinco conjuntos exatamente iguais de ternos, calças, calçados, camisas, gravatas, segundo ele, “para não perder tempo escolhendo que roupa vestir“.

Na época, eu gostei do conceito, mas preferi ter uma pilha de calças diferentes, uma pilha de muitas camisetas e um certo número de tênis e botinas, porque aí eu sempre pegava a primeira calça da pilha, a primeira camiseta da pilha e combinava o calçado de acordo com a cor da calça e conforme fosse dia chuvoso ou não (por isso as botinas).

III

Para o inverno, tinha um certo número de camisetas de manga longa, mas a preferência era por camisetas de mangas curtas com um bom casaco por cima. Este é um aspecto com o qual agora não me preocupo mais em gastar. Mas tem uma coisa: mais adiante, quando estiver de volta à condição de retomar um antigo plano de vida que eu tinha, vou voltar a comprar camisetas.

Tem uma coisa me incomodando bastante, aqui nesta casa. Para uma pessoa que mora sozinha, os valores das contas de água e luz estão bastante salgados. Chegam perto dos R$ 250 ada uma. Meu palpite é que seva estar havendo alguma fuga, algum gato operando por aqui.

Não tomo banhos muito longos, nem com água pelando. Não que fique fazendo controle de tempo. O caso é que nunca estou com sujeira suficiente que justifique ficar tempo demais me lavando, e praticamente nunca preciso de banho “para relaxar“. Isso comigo simplesmente nunca acontece.

Ah, eu passo o tempo todo lavando louças e talheres, sim, quando tem que ser feito, mas a água não fica o tempo todo correndo. O liga-desliga da torneira também limita gasto de energia elétrica nas torneiras (a do banheiro também é). Ah, eu estou precisando encher a máquina de lavar com baldes, sim, mas isso não muda o limite de água que a máquina precisa para fazer as lavagens.

Seja com balde, seja pela bomba d’água, o consumo é o mesmo. A alternativa ao gato (e que também não deve ser desprezada) é o custo efetivo da água, que pode estar, mesmo, bem elevado, mas para uma pessoa sozinha ainda acho alto demais.

E em seguida, temos o consumo de energia elétrica. Este é mais fácil de ter gato do que na água. O gato pode estar lá na rua.

II

Eu não sou do tipo de pessoa que precisa que todas as luzes da casa estejam ligadas ao mesmo tempo. Tenho que dar um desconto para o quarto que atualmente me serve de escritório. É uma peça escura. Preciso ligar a luz de cima e mais duas mais baixas, para que poder operar o teclado do computador.

Sempre foi assim, mesmo antes da segunda operação de catarata. Ainda estou tendo que usar o mesmo óculos que usava antes da cirurgia, só que agora ele não está ai adaptado para nenhum olho. Antes havia adaptação para o olho ainda não operado, mas mesmo assim era preciso acender três luzes na peça.

Mas e não passo o tempo todo trabalhando lá. Por exemplo, agora estou usando o notebook, na sala, onde ligo apenas uma lâmpada, e isso que são dez horas da manhã. Sem esta luz, mesmo com os óculos, seria complicado usar o teclado do note. Ah, tem um detalhe: dizer que estou usando os óculos não é o mesmo que dizer que a visão fica nítida. Longe disso.

Está bem, tem um freezer vertical e uma geladeira frost free. Admito que contas com a voltagem de 220 possam ser um pouco mais altas. Mas R$ 250 para uma pessoa só, acho um pouco demais.

Bueno.

Queixas à parte, a questão é que agora preciso recuperar um pouco de poder aquisitivo para lidar com estas despesas sem preocupação. De novo: trata-se de um recomeço. A ideia é chegar de novo ao ponto em que estava no final da década passada: dono de uma casa própria e em vias de adquirir um imóvel na praia.

E também em vias de poder retomar o projeto de viajar de carro pelo Estado. São planos a serem desenvolvidos dentro dos próximos quarenta anos. A questão é ter saúde.

I

A saúde é uma coisa relativamente fácil de manter.

Basta abrir mão de algumas coisas. Ficar parado, na ilusão de que assim estarei descansando. No meu caso, não vai rolar. Vejo isso nos domingos, o dia seguinte ao recesso de exercícios físicos com pesos. O domingo começa e eu penso, é tão bom não fazer musculação, não vou fazer. Aí eu levanto, chego na sala, lanço o bom dia nos grupos da família e depois pego os pesos.

Depois, a caminhada. Esta, então, eu nem penso. Aliás, eu penso, sim: se eu ficar um dia sem chegar nos quatro mil passos, pelo menos, terei que começar tudo de novo. Aí eu penso que não posso perder o número de dias de caminhada que aparece ali . Recomeçar do zero para quê, se estou mais perto dos dois mil do que se tivesse que sair do nada até mil, de novo?

Não dá. Então eu caminho. Aquela média que aparece no rodapé da imagem é a média de todos os mil e sessenta dias desta série. Até o final do dia ela com certeza baterá os seis mil, mas a média do mês, somente, está bem acima, porque já cheguei os duzentos mil passos.

Na quarta-feira faço uma publicação de estimativa.

P.S.:

O modelo de página que uso neste blog (que é o mesmo que usava no anterior) eu gosto porque dá a ideia de uma pagina de jornal. Mas para os temas abordados desta vez tenho encontrado dificuldades para acrescentar magens que tenham a ver com o que está sendo comentado.

Não sei se a falta de uma imagem em cada postagem chega a ser um problema para quem eventualmente venha aqui ler o que escrevo. Não vejo sentido em colocar uma imagem aleatória apenas para melhorar o visual da página principal do site.


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