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Por Que Elas Andam de Mãos Dadas

V

No meu modo de ver, uma das características mais obvias que uma pessoa que quer ter uma vida longa, de qualidade, é disciplina. É uma palavra (mas não só a palavra, o ato de ser disciplinado) que quase ninguém gosta. Eu adoro. Como já bem disse Bob Proctor, uma vez, “se você não tem disciplina, não acho que tenha muita coisa“.

Veja eu, agora. Estou escrevendo este texto depois de ter colocado, no post de ontem, que eu não tinha mais disposição para vir aqui todos os dias fazer uma publicação. E quando terminei a postagem de domingo, não estava sequer cogitando vir de novo na segunda-feira para escrever. Mas quando tive a ideia, quando considerei que não era tão absurda assim, decidi que faria, e me disciplinei para tanto.

O vendaval, seguido de tempestade lá fora, começou às 2h54 da madrugada. Eu queria ter saído da cama apenas depois das quatro horas; entre as quatro e as cinco, que é geralmente o que acontece todos os dias, com algumas exceções. Quando teve jogo começando às 21h30 na noite anterior, o normal é eu dormir até um pouco mais tarde.

Houve um tempo em que eu ficaria me martirizando se não levantasse muito cedo para ser o primeiro a largar um “bom dia” nos grupos da família, mas agora não dou quase nenhuma atenção a isso. Que eu saiba, não importa a que horas saia o bom dia, desde que saia, porque aí as pessoas sabem que está tudo bem comigo.

Eu que fico no ar sem saber como as pessoas estão, porque a maioria delas não responde, mas como notícia ruim chega bem depressa, acredito que mesmo sem dar resposta estejam todos bem. Se eu boto na cabeça que tenho que cumprimentar, é uma questão minha.

IV

Enquanto começo a escrever este texto, a máquina de lavar roupas está funcionando. Certamente terei que interromper a tarefa daqui para enchê-la de novo A bomba que puxa a água está estragada, funciona a meia boca, e portanto estou tendo eu mesmo que encher o bojo, colocando água de balde. Já sei que terei que gastar em torno de R$ 500 para consertar, verba de que no momento não disponho.

Até ai tudo bem, porque enquanto ela estiver fazendo todo o restante normalmente depois de cheia, não vejo problema em colocar água de balde para encher. Na verdade, trata-se de mais um exercício de disciplina. A dinâmica é a mesma de quando acordo sem vontade de fazer exercícios, ou de caminhar. A mesma de quando decidi que poderia vir aqui escrever na segunda-feira depois de ter dito que não tinha mais disposição para isso.

   No caso dos exercícios e da caminhada, é pelo bem da saúde: não posso mandar ninguém se exercitar por mim; não posso mandar ninguém caminhar por mim. Mesmo se pudesse, isso em nada me ajudaria. O eu de daqui a dez anos vai agradecer por eu ter feito isso mesmo quando não estava a fim. Da mesma maneira, a curto prazo, o eu de daqui a duas semanas vai agradecer por eu ter cumprido a tarefa de ter enchido a máquina com balde e tê-la colocado para lavar, em vez de ficar acumulando roupa suja.

Ninguém pode fazer isso por mim, assim como ninguém vai cozinhar por mim quando o freezer começar a esvaziar. Meu eu de duas ou três semanas em diante agradece muito por eu ter tido a disciplina de fazer comida e manter os estoques em dia. Para tudo isso é preciso ter disciplina. 

A habilidade de dar a si mesmo uma ordem, e cumpri-la.

III

Outra característica de uma longevidade saudável, que caminha lado a lado com a disciplina, é mais um dom do que uma escolha, mas que pode ser desenvolvida, mantida e certamente deve ser reverenciada: a capacidade de cognição.

A cognição é na verdade a base de tudo. Inteligência, memoria, capacidade de raciocínio. Esta última pode (e deve) ser melhorada, aprimorada. Mas isso só acontece se a pessoa tem a felicidade, como no meu caso, de chegar em uma idade avançada, sem sofrer de nenhuma doença degenerativa, mental ou física.

A imensa maioria das pessoas não leva isso em consideração, mas trata-se de uma bênção. É preciso ter muito isso em mente, quando se está enfrentando alguns problemas na vida cotidiana. É preciso ser conscientemente disciplinado para cuidar diariamente de memória, inteligência e capacidade de raciocínio.

Eu faço isso todos os dias.

Antes de continuar, preciso escrever o seguinte: tenho consciência de que estou falando apenas por mim. Já escrevi isso antes. Cada pessoa envelhece de um jeito. A única coisa que todos temos em comum nesta questão é a passagem do tempo. Ele passa para todos, mas cada um o passa de um jeito. A consciência da passagem do tempo, às vezes, só é alcançada quando já é tarde demais.

Volto a dizer: não é o meu caso. Esta consciência acho que tenho desde sempre, portanto desde sempre tive alguns cuidados, como também já escrevi aqui. Como se trata de um espaço em que a longevidade saudável (e a expectativa de viver por um tempo acima de cem anos), será normal que de tempos em tempos eu me repita.

E vejam só: no segundo dia consecutivo em que venho aqui para escrever, está me parecendo muito fácil montar seções com trezentas palavras num total de mil e quinhentas.

II

Ou seja: a repetição não é só a mãe do aprendizado, ela é também mãe do alcance de metas. O texto não precisa necessariamente ser repetido. A repetição do gesto de vir escrever, entretanto, faz toda diferença. É exatamente como escreveu Wayne Dyer, quem reverencio como minha principal influência na vida, “Você só fica bom naquilo que pratica, não no que evita.

Eu evito não praticar. Ou procuro evitá-lo. Como sou especialista apenas em mim mesmo, escrever sobre mim ajuda a me conhecer melhor; saber até onde posso ir numa determinada empreitada; o que sou e não sou capaz de fazer para tingir um objetivo. Tudo isso engloba disciplina e cognição. Coloca-os lado a lado.

Todos os dias eu faço palavras cruzadas, no café da manhã. O processo foi exposto em postagem anterior. Manter a cabeça funcionando, para mim, exige algumas atitudes, que, por óbvio, funcionam para mim.

Por exemplo, eu gosto de silêncio dentro de casa. Mas eu não fico no silêncio. Como assim? Sempre tem algum vídeo rolando no You Tube, quando estou fazendo qualquer outra coisa que não seja (como agora) escrever um post para o blog, ou editando a parte de áudio  para o canal de leituras do You Tube.

Quando edito a parte das legendas prefiro ficar com música (em volume bem baixo). Me incomoda demais o barulho que vem de fora, principalmente de apartamentos de andares superiores. Atualmente é uma casa, mas tem outra em cima.

Sobre os vídeos que rolam no You Tube quando faço outras coisas: são sempre do tipo educativo. Finanças, desenvolvimento pessoal, relacionamentos, esportes (no caso daqueles em que não preciso ficar parado, sentado na frente da televisão). Entretenimento e educação, como canais que falam sobre temas como ufologia, saúde, aviação (a maioria contém imagens importantes que obrigam a parar quieto na hora de assistir) eu sento para olhar.

Até mesmo quando estou assistindo séries, estou fazendo algum tipo de estudo e treinamento de memória. Por exemplo, todo mundo sabe que os personagens das séries são atores que estão contando uma história. Tanto é verdade que eles são vistos interpretando inúmeros papeis em filmes diferentes. O cérebro das pessoas interpreta aquelas ações como se fossem realidade, como a neurociência já comprovou. Ele não sabe a diferença.

Mas comigo não é assim. Como tenho consciência (e mantenho isso em mente), não me envolvo com as histórias que estou acompanhando.

I

Como se trata de atores contando uma história (e já tendo visto alguns deles interpretando outros papeis), o que faço é analisar se são bons atores. E como a maioria dos filmes que assisto são dublados, a parte dos atores é se eles me convencem ou não com suas interpretações.

Então eu sei se um ator é bom em comédia ou em drama, ou nos dois. E uma outra coisa: muitos atores eu conheço por nome. Nas séries, principalmente, quando os créditos passam no início, conforme o nome eu já sei que este ator, ou esta atriz vão aparecer ao longo da história. Quando os créditos passam no final e eu ainda não conheço todos os atores, o Google me ajuda a identificá-los e assim memorizar.

E como os filmes são em sua maioria dublados, minha segunda abordagem consiste em memorizar as vozes dos dubladores e ligá-las a um nome. Como as mesmas vozes aparecem em milhares de cenas, quando as plataformas de streaming e os próprios estúdios de dublagem permitem, eu sei identificar de qual dublador ou dubladora é esta ou aquela voz.

Para a memória e um exercício espetacular, gratuito e muito eficiente. Assunto para outro post.


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