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A imensa maioria dos vídeos do You Tube são endereçados aos jovens, digamos, até os 40 anos. Pessoas que ainda estão em busca de um lugar ao sol em suas vidas, suas carreiras. A percentagem de vídeos para idosos á baixa, e eu tenho a vívida sensação de que não são produzidos por idosos.
Da mesma forma, vídeos sobre relacionamentos, sobre vida de solteiro, são produzidos por e endereçados para públicos jovens. Isso aparece claramente nos vídeos sobre vida de solteiro, onde sempre se fala no desconfiança que é preciso ter sobre o homem solteiro com quarenta anos que nunca se casou. Aí tem.
Olhando de fora, fico com a convicção de que todos estes vídeos, todos, incluindo os para idosos, sempre tratam da regra. Jamais abordam a exceção. A exceção, como todos mundo sabe, também faz parte da regra. Mas quase nunca é levada em consideração. Do meu ponto de vista, a exceção de uma regra deveria funcionar como geradora de um plano B, plano C, e assim por diante, porque, quando se trata de pessoas, cada um vê e recebe, aceita e reage, de um jeito diferente.
Como dizia o Dyer, a felicidade tem tantas definições quanto existem pessoas dispostas a defini-la. Cada um vê a vida de um jeito. Se isso for uma regra, é das poucas que não têm exceção.
Quando falo do meu processo de envelhecimento, acredito estar falando de uma exceção. Na verdade, praticamente toda a minha redondeza imediata é feita de exceções. Vou me basear em alguns vídeos que acompanhei de ontem para hoje. Como disse, faço este acompanhamento enquanto faço coisas da casa, e também quando estou fazendo exercícios, caminhada, etc.
Ontem aconteceu de me ver forçado a exercer minha capacidade de disciplina, e por aí começo o post de hoje.
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Enquanto acompanhava o Sala de Redação (para quem não sabe, Sala de Redação é um programa de debates esportivos da Rádio Gaúcha, que existe há 50 e poucos anos. Eu aprendi a escutá-lo em 1975, quando comecei a trabalhar numa sapataria – o que foi contado num dos vídeos do canal do You Tube -, e que agora também pode ser acompanhado com imagens nos canais da rádio no You Tube), na tarde de segunda, lembrei que tinha que fazer um bolo.
De uns tempos para cá venho alternando entre bolo de chocolate e bolo de milho. Digo que tinha que fazer, mas a real é que quem faz é a panificadora. Eu só junto os ingredientes. E então acontece que no pote da cozinha a farinha de trigo estava no final. E eu tinha um saco de cinco quilos no armário do quarto.
Abre Parêntese
Quando me divorciei, no começo do ano, fiquei com todos os móveis da cozinha do local anterior. Não tendo como acomodar todos no local atual, tive que improvisar, como de resto, no tocante a toda a situação.
Fecha Parêntese
Quando abri o pacote que estava guardado, duas constatações: estava com a validade vencida (o que eu de antemão sabia) e cheio de mofo na farinha. Se fosse em outra época, eu abriria todo pacote para ver até onde o mofo chegava e se poderia aproveitar o restante.
Mas acontece que já passei dessa fase. Antes de pensar na dor de perder dinheiro por ter produto deteriorado, agora penso no prejuízo da minha meta de longevidade ao ingerir um produto que esteve com parte do teor comprometido. Sem chance.
Então eu decidi que depois do Sala, em detrimento do tempo que poderia passar editando o áudio do capitulo do livro em que estou trabalhando, eu iria ao mercado comprar farinha.
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A segunda, como escrevi ontem, estava chuvosa. A chuva ia e vinha. Eu até estava com disposição de ir a pé ao mercado, e teria feito isso se não estivesse chovendo. Então, fui de carro. Para minha sorte, atrás do mercado tem uma agropecuária, e aproveitei para comprar comida para a minha tartaruga.
Dentro do mercado, cheguei à conclusão de que seria desnecessário, naquele momento, comprar pacote de cinco quilos de farinha. Acho que agora vai ser muito difícil comprar um desses, porque não estou fazendo mais pão em casa, desde que a panificadora parou de funcionar direito.
Como o pão não cresce, tenho preferido comprar pão zero açúcar que, apesar de industrializado, me parece mais saudável do que consumir um pão abatumado. Os bolos que faço no aparelho também não crescem muito, mas no normal eles já não eram muito altos. Um pão exige pelo menos três copos e meio de farinha. Um bolo fica por um copo e meio.
E os bolos eu faço um a cada cinco, seis dias.
Abre Outro Parêntese
Ontem, quando mencionei a circunstância de estar tendo que encher a máquina de lavar usando balde, faltou dizer duas coisas. Uma ficou implícita: a bomba d’água funciona, mandando um fio de água quando acionada. Como ela tem um tempo para bombear, e como está mandando pouca água, depois de um tempo ela para. Por isso estou colocando água de balde.
A outra coisa é que faltou mencionar frequência com que lavo roupa. Morando sozinho e ainda usando roupas de inverno, a frequência é de cinco a seis dias para uma lavagem, dependendo se chove ou não. Até tem onde pendurar coberto, mas também depende se tem vento ou não.
No verão a média pode cair para até dez dias entre uma lavagem e outra.
Fecha o Outro Parêntese
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Em vários dos vídeos que acompanho todos os dias é dito que o nosso mundo externo é um reflexo do mundo interno. Que uma cama e uma mesa de trabalho bagunçados, além de reflexo do que se passa dentro da cabeça da pessoa, para nem falar que pode sinalizar que ela nunca irá muito longe na vida.
Vamos falar da exceção.
A minha mesa de trabalho, no “escritório” que é um dos quartos, sempre foi uma zona. Sempre foi assim, desde os tempos e que eu ainda trabalhava oficialmente. Mas qualquer pessoa que chegar aqui (e isso já vem sendo assim há muito tempo, tanto que nem lembro quando começou) vai encontrar a pia da cozinha vazia, e pouca coisa em cima do secador.
Toda vez que vou me movimentar naquela área, a coisa está sempre em ordem. Se esvazio potes de comida na hora de almoçar ou jantar, quando termino a refeição é tudo lavado na hora. Pode ficar de uma noite para a manhã seguinte a panela da panificadora, depois que faço um bolo, cheia de água, para desgrudar a massa cozida que fica quando desenformada. Não passa disso.
Lavada na manhã seguinte com a louça do café da manhã.
A mesa de trabalho é uma zona, como eu disse, por conta dos muitos papéis e canetas, tesoura, grampeador, cartela de fio dental, relógios, etc, que gosto de ter à mão. É também onde faço meu ritual diário de escrita, e um canto da mesa, e a parte central, onde fico com o livro na frente da tela do computador fazendo as edições de áudio e vídeo, ficam absolutamente livres de materiais.
E na minha esteira, mesmo quando inoperante, como agora, não fica nada pendurado. Mesmo fora de uso, esteira não é cabideiro.
Uma coisa que agora tenho feito, mas de que nunca fui muito fã, é arrumar a cama. Não concordo com a ideia de que a organização da vida começa pela arrumação da cama. Nunca ensinei isso aos meus filhos. Não sei se o fazem, hoje em dia, não me interessa saber.
O filho não quis estudar e vive com as consequências disso. A filha sempre foi estudiosa, criou uma vida tranquila para ela, com um futuro promissor. Duvido muito que não terem sido ensinados arrumar a cama tenha influenciado em qualquer das decisões que tomaram.
Também não aumentou nem diminuiu a felicidade pessoal deles.
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Por que, então, eu hoje estico as cobertas, quando levanto de vez? Para evitar que a dona Lilly suba e se aninhe embaixo delas. Não quero dormir numa cama cheia de pelos de gato. Não quero ficar com pelos de gato grudados na roupa, porque podem “voar” para dentro da minha cumbuca de comida.
E toda vez que eu sento para dar comida para a tartaruga, a gata vem e fica na minha volta, querendo carinho. Eu passo a mão nela e não foram uma nem duas vezes que havia pelos de gato dentro do pote da ração da tartaruga. Não dá.
Então eu estico as cobertas. No verão é mais fácil de correr a gata de cima da cama.
Ou seja: nem sempre uma bagunça externa reflete uma bagunça interna. E outra: a bagunça numa parte da casa não significa bagunça na casa toda. Quer dizer que uma parte da minha cabeça é bagunçada e a outra não é? Não acredito nisso.
A bagunça de um canto da minha mesa não impede que eu tente dar o máximo de excelência às postagens nos canais do You Tube, dentro do que me proponho a fazer lá.
E por hoje era isso.